Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Arroz do Cachorro/Rice of the Dog/Le Riz du Chien/Reis des Hundes

Alegrias, tristesses, Schadenfreude, insanidades e muito spleen

O Arroz do Cachorro/Rice of the Dog/Le Riz du Chien/Reis des Hundes

Alegrias, tristesses, Schadenfreude, insanidades e muito spleen

17
Jan18

The Unbearable Lightness of Coisa Nenhuma (Ou: Pieguice em "ingrêis")


Don 'Toño

Why it has to be so? I feel a flow coming in my head, so sudden. Like, I started to think about all of
the moments that never actually happened, where both you and I were friends and lovers, and all that
could not have been, and then everything simply shattered. No thought untouched, no nothing. Every
feeling, every brittle feeling and figment of imagination is damned, there is not much more to cling
to. I loved you. I never loved you. I obsessed. I dreamt. I fooled myself. None of this ever made any
sense, and now it is simply gone, as it should be. Or is it, really? I mean... I'm still thinking
about it, ain't I? You're still as beautiful and unattainable as before, just sitting tall there, in
my mind, still bearing that half smile you always did.


I don't want any of this. It accomplishes nothing. There is only sadness when trodding down this path.
And yet I look out for it. Yearn it. I do not love it. I love it. But no, I don't love you. I am only
obsessed. And not about you, but about this construction, this overbearing idea of grandeur
surrounding you. Who you were, are and will be. And it's probably true. I mean, you are and were
great, you're probably going to remain so. But maybe this whole idea of us was never even remotely
close to being great. It's feeble. Pathetic, even. But I'm still deluded. And it's wonderful. And it
sucks.

06
Jan18

Um Final Schmaltz


Don 'Toño

 

Depuratta vivia tranquilamente em qualquer lugar, desfrutando da quietude e beleza do entorno enquanto fazia chá. Certa manhã, uma manhã aparentemente igual a todas as manhãs e sem qualquer ambição própria de ser uma manhã diferente, um jovem de barba branca e longos cabelos azuis viu Depuratta enquanto esta seguia seu ritual diário de preparar chá. E apaixonou-se, ou assim ele pensou.

 

- Olá - disse o jovem, já cheio de esperanças e imagens mentais fantasiosas.

 

- Qual é o teu nome, doce criatura? - continou ele, com ar animado.

 

- Chamo-me Depuratta - foi a resposta, sem qualquer tipo de ênfase.

 

- Depuratta... é um belo nome, ainda que pouco usual - disse, adicionando esta informação às projeções futuras em sua cabeça.

 

- Gosto de pensar que não existe ninguém mais com o mesmo nome; me sinto especial assim - falou Depuratta, com um aspecto orgulhoso e ligeiramente presunçoso.

 

- Um nome especial para uma garota especial... Diga-me, por acaso tens um namorado? - perguntou o jovem, muito animado e sentindo-se galanteador.

 

- Não tenho, e na verdade nunca tive - respondeu, já pouco confiante de que gostaria ouvir o resto do que o jovem tinha a lhe dizer.

 

- Ah, que bom saber... Eu não costumo ser assim... me sentir assim, quero dizer... Mas quando te vi, logo soube que era a garota especial, como a gente lê nos romances e vê nos filmes... - foi dizendo o jovem, graciosamente.

 

- Então... quer ser minha namorada? Prometo que vou sempre te amar e te respeitar, e te dar tudo o que quiser, e limpar suas lágrimas e cobrir o sol quando estiver muito quente, e... - continou ele, cada vez mais inflamado e envolto em devaneios.

 

- Pare! - interrompeu Depuratta, agora enfática - Olha... me desculpa, viu, cara... mas não estou interessada. - completou, virando-se de lado.

 

- Mas... por quê? Por quê não me quer? - indagou o jovem, com a voz queixosa

 

- Não tem nada a ver com você... sou eu. Só não tenho interesse em namorar - disse ela, sem querer ferir sentimentos.

 

- Não me achou bonito, não é? Porque os meus cabelos e barba não são da mesma cor, não é? - inquiriu ele, com tom quase acusativo.

 

- Não, cara... o que acho de ti fisicamente não importa... não é relevante... como eu disse, não tenho interesse nisso, só quero continuar fazendo o que gosto: preparar e beber chá. - explicou Depuratta com honestidade.

 

- Mas todos procuram sua metade, sua alma gêmea... por que você seria diferente? Eu não acredito! Me achou chato, não é? Pode dizer a verdade... - disparou o jovem, já mostrando uma certa irritação, e demonstrando que as fantasias anteriores começavam a se desfazer

 

- Olha... nem todos procuram sua "metade"... algumas pessoas se sentem completas simplesmente por serem quem são... e as que não se sentem assim deveriam primeiro buscar esse sentimento de completude sem depender dos outros, sabe? - disse-lhe Depuratta, agora tomada de compaixão por ver o quão fora da realidade vivia o jovem.

 

- Não... NÃO! Essa completude que mencionou... desse jeito... não é possível. Eu nunca senti isso ou conheci alguém que se sentisse assim... É mentira! - argumentou o jovem, muito inquieto e tomado por insegurança - Sei que me achou chato... e como não acharia? Nem me deu uma chance de mostrar como eu sou de verdade! Me fez falar desse jeito chato! - completou.

 

Depuratta agora não sabia o que fazer ou dizer. O jovem era cheio de ilusões e conceitos formados a partir de uma visão de mundo limitada e inflexível. Seus pensamentos e atitudes eram manifestações puras de egocentrismo. E agora, como se não bastasse, ele ainda a culpava por uma percepção que construíra de si mesmo como sendo chato. E ela teve pena, mas, ao mesmo tempo, ainda que sem querer, o achava chato mesmo.

 

Decidiu que era melhor voltar a ocupar-se do que lhe interessava e do que sabia como lidar, e retomou o preparo do chá.

 

- Ah, agora ainda vai me ignorar, é isso? Vai bancar a indiferente? - manifestou-se o jovem, agora completamente alterado e com o semblante e a postura completamente irreconhecíveis diante do que havia mostrado anteriormente

 

- Eu te amo! Eu te AMO! E tu me despreza... Não sei como me apaixonei assim por uma puta como tu. Sua vadia suja! - explodiu com raiva.

 

Depuratta agora sabia que o jovem era muito perturbado e o esforço para que um dia ele pudesse agir decentemente e fosse feliz seria demasiado, e que ela não seria capaz de ajudar. E já estava farta daquilo, mas continou preparando chá. Agiu como se ele não estivesse mais ali despejando todas as ofensas que habitualmente os machos desferem contra as fêmeas.

 

- Eu vou ficar aqui até que demonstre alguma coisa, ouviu, sua piranhazinha? EU TE QUERO! EU TE AMO E QUERO TE COMER! SEU DEPÓSITO DE...

 

Depuratta abriu a despensa onde guardava seus apetrechos para o preparo de chá e outras coisas que julgava importantes de se guardar, pegou uma escopeta que guardava atrás dos pacotes de bolo instantâneo e disparou contra a cabeça do jovem, espalhando e misturando o branco da barba e o azul dos cabelos com o vermelho do sangue que jorrava copiosamente.

 

Agora aliviada, Depuratta pôde terminar o ritual de preparo, e, enfim, tomar chá em paz e feliz com seus amigos chazinhos.

 

- FIM DO PRIMEIRO E ÚNICO ATO

 

 

19
Ago17

As alegrias do Velho Hernan


Don 'Toño

O texto que se apresentará a seguir é uma evidente paródia (ou algo assim) do clássico "Os Sofrimentos do Jovem Werther", de Goethe. Segue tal qual me foi passado pelo meu cérebro:

 

As alegrias do Velho Hernan

 

Por Juanito de Góes

Hernan era um velho muito lépido e faceiro. Todas as manhãs, saía
para caminhar com sua amada Mariacita, que além de ser
incrivelmente bonita, era estupidamente rica, jovem e ainda por cima falava pouco.
Um dia, no entanto, Sebastopoulos, amigo dos tempos de doutorado de Hernan na Sorbonne,
viu-o com Mariacita enquanto caminhavam e conversavam com a encarnação etérea de
Virgílio.
A inveja de Sebastopoulos era muito grande, mas ele gostava muito de Hernan e ignorou tudo.
Aproximou-se de seu antigo amigo e logo exclamou: "HERNAN! TE DEVO DINHEIRO!". Hernan recebeu
de bom grado a generosa oferta de pagamento feita por Sebastopoulos, que também lhe desejou
muitas felicidades com Mariacita e disse que se casaria com ela tão logo Hernan morresse.
Hernan riu e produziu um documento firmando o acordo de casamento, sabendo que Sebastopoulos
era um bom homem e que Mariacita logo ficaria viúva, já que Hernan gozava dos benefícios da
avançada idade de noventa e seis anos.
Todos quatro se dirigiram para a grande mansão de Mariacita, perfeitamente localizada
em uma das mais belas praias de Acapulco. Ao chegarem, se depararam com uma imagem familiar,
e também muito temida. Sim, era aquele rosto, aquele rosto temido e odiado. O rosto do terrível
duque de Olivares y Castelón. Junto com o rosto, havia um bilhete, que explicava como o duque
havia sido torturado com velas, ferros quentes, baldes d'água, serrotes e agulhas.
Hernan e seus amigos se encheram de contentamento, e foram desfrutar do banquete de massas
que os criados haviam preparado no lado de fora da mansão.

FIM

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D